Pegadinhas Infantis

Caraca, eu me matando pra fluir algum texto esquecido nos primórdios do blog e nem me toquei que era Primeiro de Abril! O que, nesta memorável data, poderia ser mais conveniente que as histórias de pegadinhas e brincadeiras que eu preguei durante toda minha infância?

Por falta de um tema melhor, a resposta para a pergunta retórica acima é “Nada”.

Agora, chega de enrolação. Prepare-se para conhecer o cúmulo do auge da pentelhagem que apenas uma criança hiperativa é capaz de causar.

Começarei pela sacanagem que apertou um start imaginário na minha pequena e diabólica mente: Na terceira série, eu estudava num colégio popular de uma cidade interiorana. Nesse pacato centro de ensino, havia uma lanchonete com putíssimos trabalhadores – e, num primeiro de Abril, eu decidi me vingar.

Testei a piada num amigo para assegurar seu sucesso no atendente da cantina, na época, meu maior rival. Chamei um amigo até o amassador de latinhas (que, até hoje, não encontro uma razão pra existir, já que jogaríamos o alumínio fora de qualquer jeito), onde tinha posicionado uma Pepsi ainda cheia. Com minha lábia Jeff-Duhmmerística juvenil, convenci o coleguinha que eu não conseguia puxar a alavanca, que, por sua vez, impulsionava uma placa de metal, deformando a lata.

O garoto até arregassou as mangas. Puxou a alavanca confiante e, sem mais nem menos, um componete fechado de 300ml molhou uma criança do joelho à testa. Sorri maléficamente da minha própria capacidade de disseminar o mal, enquanto o sacaneado moleque ameaçava, frívolamente, de chamar seu irmão mais velho para me arrebentar. Essa historinha fazia a criança se sentir no auge.

De qualquer forma, com minha mais nova prank aprovada e com selo de qualidade, voltei a barraquinha e comprei outro refrigerante genérico. Com rabo de olho, vi o atendente se aproximando. Com minha mais ensaiada cara de cachorro morto, perguntei se ele poderia me ajudar a amassar a lata, que se preparava para esparramar a discórdia líquida sobre meu adversário.
Lá foi o machão, alegando que só teria tais músculos quando chegasse a sua idade. Ele repetiu o exato movimento do meu ex-colega (já que ele nunca mais olhou na minha cara após o tal fatídico dia) realizara. Saí em disparada quando o jato de cola e corante cegou parcialmente o atendente; eu teria pena se não tivesse sido tão cômico. Rendeu-me a primeira advertência da minha vida e também uns hambúrgueres cuspidos pelos próximos dois meses.  Aliás, fui advertido outra vez uns dias atrás, pura bullshit. Conto aqui depois.

Essa foi uma época de ouro. O caso seguinte não foi primeiro de Abril, mas merece um lugar aqui.
Lembro que, um dia, eu me encontrei com um amigo para descermos uma ladeira de terra – uma prática de bicicross amador, por assim dizer. Eis que, repentinamente, surge a idéia de fazermos uma brincadeira imaginária: Com o poder da mente, nos colocaríamos numa batalha medieval (que se passava numa ladeira), onde nossas bicicletas morfariam para corajosos equinos e um par de cabos de vassoura que uma velha abandonara por ali seriam nossas afiadas lanças.

Descemos a ladeira com toda a agilidade que uma criança de nove anos alcança, encaixando lâminas no peito dos inimigos e decepando os azarados que posicionavam-se à frente de nossos fortes alazões. Tudo isso ocorria em nossa imaginação, claro. No mundo real, só se veriam dois pivetes quase capotando no barro sujo, enquanto agrediam o ar com cabos velhos de rôdos.

Quando olhei para o lado, em busca de mais mouros inexistentes, vi o aro da bicicleta do meu amigo. Vi também, quase que simultaneamente, a ponta gasta do cabo de madeira que empunhava com orgulho. Um flash dos momentos seguintes passou pela minha cabeça e não hesitei nem mais um segundo: Encaixei a “arma” no meio do aro daquela caloi enferrujada – achando que fosse uma brincadeira inocente. Aquele foi o último cavaleiro imaginário que meu amigo decapitou; segundos após dele cortar o pescoço de algum ser amorfo, sua bicicleta travou, como se seu cavalo tivesse morrido de ataque fulminante. Graças ao meu fraco conhecimento da física regente no universo, fiquei até assustado com o desfecho da situação. Ele ralou toda a perna esquerda numa pedra escondida no meio da lama, mas descobri um fato inegável: Crianças descerebradas estão muito mais propícias a lei da Inércia do que qualquer outra forma física existente.

Cagadas infantis são incontáveis; quem nunca realizou uma não viveu sob os padrões necessários para uma boa criação.
É capaz desse post ter parte dois, quem sabe daqui a exatos 365 dias – isso se não estivermos num ano bissexto. Estamos?

Na verdade, parei por aqui por que é quase meia-noite e isso tem que ir ao ar na data prometida.
Compromisso bloguístico é isso aí. Queria contar mais causos, mas, como já deixei subentendido, é só ano que vem, macacada.

Deixem seus contos de infância aí nos comentários, afinal, todos temos que rir, senão da desgraça alheia, que seja da dos outros!

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Uma resposta

  1. OK OK…
    Duvido que suas histórias ganhem das minhas…até porque eu sou o “Capeeeta em forma de guriiiiii” *Cara de Cu!”
    enfim…
    contando minha historia porque depois de magnifico texto não posso deixar de satisfazer suas vontades…;)
    Eu já empurrei meu amigo no cimento fresco…no brinks…no play…sério…

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