Character’s Sheet #01 – Rorschach

Como prometido, darei a partida em mais um “quadro” de postagens que acompanharão este blog desde o começo, acompanhando-o até o dia em que seu título esteja estampado nos obituários virtuais.

O mascarado homem acima é Rorschach, as known as Walter Kovacs, um sociopata do grandioso universo de Watchmen, cunhado pela mente desvairada de Alan Moore em parceria com Dave Gibbons.

Para inaugurar essa nova categoria, faremos uma análise da vida e biografia de um dos mais sinistros personagens da história impressa da DC Comics. Então, vai lá, clica no link e prepare-se para a primeira de muitas dissecações de personalidades notáveis de todo o universo ficcional.

Rorschach, nascido Walter Joseph Kovacs, foi apresentado ao mundo na edição #1 de Watchmen, realizando seu monólogo sobre a morte do Comediante. Há outro post sobre a maior obra de Alan Moore, portanto, não nos perderemos nessa àrea do tema.

É um herói psicopata; possui um ódio que foi, à principio, alimentado por sua mãe, Sylvia Joanna Kovacs – esta, uma prostituta que se separou, sob acusações de adultério, de seu marido, Peter Joseph Kovacs. Dois meses depois, Sylvia sustentava o filho rescém-nascido em apartamentos de baixa renda; provavelmente, a dificuldade financeira que uma criança traria foi o que levou a mãe de Walter para a prostituição. Das poucas informações que se sabem sobre o pai biológico do futuro vigilante mascarado, as principais são que seu nome inicial era Charlie e que deveria ser amigo do presidente Truman. Sua mãe o odiava e sempre discutia com o pai do garoto quando se tratava de política.

Com nove anos, nosso protagonista ouviu a mãe em serviço, pensando que ela estaria sendo abusada. Quando chegou lá, o cliente ficou irado e largou Sylvia na cama, deixando apenas cinco dólares. O evento foi seguido por um ato de violência familiar, tanto física quanto verbal. O jovem Kovacs ouviu sua mãe alegar que “deveria ter dado ouvidos aos outros e abortado esse moleque”.


Um ano depois, Walter saira para buscar algo para sua mãe no mercado. No caminho, foi parado por dois valentões que tiravam sarro dele por causa da mãe; um dos garotos esfregou uma fruta no rosto de Kovacs. Perdendo o controle, ele arrancou o cigarro da boca de um dos bullies e esfregou no olho do pequeno delinquente. Quanto ao outro, o futuro Rorschach derrubou-o com um tackle de futebol americano, que foi sucedido por mordidas agressivas de Hannibal Lecter.
Assustados, os transeuntes seguraram Walter e levaram-no para o Hospital Psiquiátrico de New York, onde ele permaneceu calado quando perguntado da causa da briga, levando os médicos a conclusão de a pancada teria desencadeado sem nenhuma razão.

Kovacs foi encaminhado para o Hospital Lillian Charlton para crianças problemáticas em New Jersey, sob o argumento de que era constante vítima de agressões por parte de sua mãe. Lá ele se revelou um excelente aluno e era capaz de realizar longas e fundamentadas conversações com seus professores. Foi liberado do reformatório em com dezesseis anos, quando foi julgado apto para conviver em sociedade. Pouco antes de deixar o local, Walter foi informado que sua mãe, Sylvia Kovacs, teria sido assassinada por seu cafetão, George Paterson. Sua única reação foi definida em uma palavra: “Ótimo”.

Batman que me perdoe, mas, meu querido, ISSO SIM é um trauma de infância.

Fora da clínica, Kovacs trabalhou como operário não-qualificado numa indústria de confecção de roupas femininas. Em 1962, houve uma encomenda de um vestido feito pelo Dr. Manhattan; um tecido de látex com manchas sensíveis ao calor e a pressão.
A cliente, uma mulher de nome italiano, não levou a roupa, dizendo que era uma peça feia. Kovacs, então, o levou consigo.
Aprendeu a cortar com instrumentos aquecidos para selar o látex, porém, viu que o tecido não tinha utilidade, e logo o esqueceu.

Dois anos depois, Walter viu no jornal que a tal cliente, Kitty Genovese, havia sido estuprada, torturada e morta, enquanto os moradores assistiram. Ninguém chamou a polícia. Com o abandonado tecido, Kovacs fez um rosto que, segundo afirma, ele “pudesse tolerar quando olhasse no espelho”.

Durante a sessão psiquiátrica que Rorschach realiza com o Dr. Malcom Long, ele revela que, até 1975, ele era muito gentil com os criminosos; ele diz que os mimavas, os deixava vivos. Nesse ano houve um caso de sequestro; levaram Blaire Roche, uma menina de seis anos. Walter decidiu investigar por razões pessoais, mandou quatorze pessoas para o hospital, o décimo quinto denunciou. Ao chegar no local, o vigilante nota dois cachorros brigando por um osso, os ignora. Investigando a casa ele percebe que o osso era um fêmur humano.

Foi Kovacs quem disse “Jesus” sobre o látex. Foi Kovacs quem fechou os olhos. Foi Rorschach quem abriu depois

Rorschach mata os dois cães e, num pioneirismo para com jogos mortais, ele assassina o sequestrador da garota, Gerald Grice. O combatente mascarado taca fogo na casa com querosene e deixa o criminoso algemado à lareira, ao lado de uma serra. Antes de acender o fósforo, ele diz “Não tente serrar as algemas. Não dará tempo”.

A chegada de Rorschach na prisão, onde ele revela a história já contada, ocorre em 1985. Nessa época, os vigilantes mascarados eram foras-da-lei, já que este ato foi proibido pela Lei Keene em 77; todos os vigilantes penduraram a fantasia, exceto Rorshach. Quando essa lei foi sancionada, o herói mascarado deixou um corpo de um estuprador na frente de um departamento de polícia, com um bilhete de dizeres NUNCA.
Uma armadilha levou o vigilante até uma casa abandonada cuja a localização é revelada para os policiais numa ligação anônima. Ao chegar no local, a NYPD é pega de surpresa pelo mascarado enquanto investigavam o prédio. Rorschach tem que se jogar da janela do terceiro andar e, ao atingir ao solo, é capturado pela polícia que vigiava a casa pelo lado de fora.

Rorschach lutando com a polícia pouco antes de ser preso

Já no presídio, há uma briga na fila do “grude”. O vigilante, agora sem seu “rosto”, assassina um detento que tnta esfaqueá-lo pelas costas na fila do lanche. Uma morte digna de Hollywood: Óleo fervente no corpo. Antes de ser levado até a solitária pelos guardas, Rorschach berra: Ninguém entendeu. Eu não estou preso aqui com vocês. Vocês é que estão presos aqui comigo!

Na solitária, o protagonista se vê diante de Big Figure (um dos mestres do crime preso por ele, na época da parceria com o Coruja II), acompanhado de capangas, um deles, segurando um soldador. Rorschach provoca um dos criminosos e consegue amarrá-lo as grades, impedido a entrada de seu carrasco. O servo de Big Figure mata o capanga preso às barras e entra na cela para tostar Kovacs. Antes que isso aconteça, Rorschach sobe na cama e, com um chute no vaso, faz a água escorregar até o pé de seu inimigo, fazendo com que ele se tostasse com o soldador.
O vilão do crime foge pela prisão, seguido por Kovacs, que o encontra escondido no banheiro. Ouve-se uma descarga e, quando Rorschach sai do lavatório, encontra com o Coruja e com a Spectral. Logo mais, sangue começa a vazar pelo vão da porta do banheiro.

Evitando ainda mais spoilers sobre a Graphic Novel, pularemos para o mais dramático momento do personagem: Sua morte. Ou assassinato, como preferir.
Ao descobrir o plano de Veidt, todos concordaram com o ex-Ozymandias. Exceto Rorshach. Ele sai da base do Alaska e prepara-se para rumar em direção a nave do Coruja, para poder revelar aos EUA quem é o responsável pela obliteração de metade de New York. Se você não assimilou esse trecho, tire a bunda da cadeira e dirija-se a livraria mais próxima para comprar Watchmen. Ou clique aqui. Que tipo de nerd é você?

Na saída da base, ele é parado por John Osterman, o Dr. Manhattan, e este o impede de voltar a América. Rorschach diz que o mal deve ser punido e, ao ouvir Osterman dizer que não poderá deixá-lo ir, a melhor página de Watchmen é apresentada aos leitores.

O fascinante desse personagem é sua visão do mundo: Ele considera Rorschach como sua verdadeira identidade – quando ele anda pela rua como fanático religioso (o homem que carrega a placa “The End is Nigh“), aquilo é seu disfarce. Kovacs abandonou sua vida real, como se virasse outra pessoa.

Além disso, pelo fato de Rorschach não ter superpoderes, sua história de vida é completamente plausível. Não seria estranho ver alguém com o passado semelhante ao personagem se tornando um sociopata cheio de ódio.

A proposta de Alan Moore foi perfeitamente representada em Rorschach – o mais próximo do ser humano que um combatente do crime ficcional jamais chegará.

Bibliografia:
Watchmen Wiki: Rorschach
HQ Watchmen (Download Via Rapidshare)

Carcaça de um cão morto no beco hoje de manhã com marcas de pneu no ventre rasgado. A cidade tem medo de mim. Eu vi sua verdadeira face. As ruas são sarjetas dilatadas cheias de sangue e, quando os bueiros transbordarem, todos os vermes vão se afogar. A imundice de todo sexo e matanças vai espumar até a cintura e as putas e os políticos vão olhar para cima gritando “salve-nos”… e eu vou olhar para baixo e dizer “não”

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Uma resposta

  1. […] sobre essa rivalidade. Algum outro dia.) e os textos de quadrinhos, especificamente falando, o primeiro Character’s Sheet, do Rorschach. Agora, imaginem que esses dois temas se misturaram, tal qual um Yin-Yang delirante desenhado num […]

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