Let’s Watch The Watchmen

"Tonight, a comediant died in New York"

Eu canso de heróis invencíveis, super fortes e poderosos. Derrubar um monstro mais alto que arranhacéus com um soco, impulsionando-o para os prédios bambeam e caem, destroindo metade de Manhattan, que sempre é reconstruída na manhã seguinte. É sempre em Manhattan. Aliás, Superman, o que diabos tem em Metrópole? Um imã gigante que atrai criaturas da Matrix em períodos semanais estabelecidos? Porra!

Em meus anos ao lado das revistas em quadrinhos, sempre tive preferência por heróis que existissem por uma razão lógica, no mínimo plausível para uma mente de seis anos. Sim, eu sei que Tony Stark explodiria com o coração da armadura, mas eu gosto dele mesmo assim. Ainda é mais plausível do que um homem que começa a soltar teias do dia pra noite, compreendido?

Mesmo sendo menos imaginativos, é óbvio que não se pode deixar passar as maluquices de meus personagens favoritos, como o DareDevil (Demolidor), Capitão America e até o próprio Homem-de-Ferro. Sempre achei que ninguém jamais exploraria os heróis de forma perfeitamente realista: Um defensor da sociedade sem super poderes, com uma história totalmente plausível. Nunca achei que veria algo plenamente humano nesse universo da Marvel & DC Comics.

Até me apresentarem Watchmen.

Antes de prosseguirmos com informações relevantes sobre o tópico, ficam aqui os recaditos:

– Logicamente, há spoilers sobre o filme e a Graphic Novel, portanto, se você ainda não assistiu ou leu esta gloriosa obra gráfica, faça-o, e depois volte. A menos que não goste de surpresas ou não se importe com o tema. Que seja.
– O Nerdcast 151, cujo tema é homônimo ao deste post, me serviu de base para o post. Ouça lá também, porque além de engraçadíssimo, possui um conteúdo muito acima do respeitável.

Hoje, a primeira coisa que me vem a mente quando penso em Watchmen é Alan Moore. Autor também de clássicos altamente recomendáveis para os leitores de quadrinhos, onde encaixam-se aqui A Piada Mortal (Batman) e V for Vendetta (V de Vingança). HQs maravilhosas, mas, de longe, o nirvana de Moore, em parceria com o ilustrador Dave Gibbons, foi publicar uma história tão envolvente que se tornaria um marco em seu ramo anos após sua publicação (1986).

A fascinante trama se passa, como não poderia ser diferente, nos Estados Unidos da América, onde um grupo que se autodenomina Minutmen (graças a uma elite militar possuidora de tal nome, aparentemente, dado pela rapidez com que se aprontavam para a porrada) combate crimes de pouca importância nas periferias empanturradas de criminalidade. Os “Homens-Minuto” acabaram, mas deixaram uma nova geração de heróis para combater o crime, que começava junto com os anos 60.

Quis Custodiet Ipsos Custodes (Who Watches The Watchmen?)

Nesse contexto, os personagens principais aparecem. O primeiro foi o Dr. Manhattan, o único dos que viriam a ser os vigilantes que possui de fato super poderes, já que pode manipular os átomos; isso devido a um acidente que sofreu, preso numa câmara de experiências dentro de um laboratório. Seu corpo foi dizimado e depois, de alguma forma implícita ou simplesmente inexplicável, um corpo humanóide começou a se constituir, tornando Jonathan Osterman num peladão azul que pode explodir a Rússia e se mandar pra Marte quando a coisa fica feia.

Peraí, pausa.
“Ah, mas você num disse que não tinha essas coisas fantasiadas de heróizinho com super poderes e o escambal? Como um corpo desintegrado reconstituiu uma aparência humana?”
Vá ler jornal, meu filho, Watchmen é o mais próximo da realidade que uma Graphic Novel já chegou. Ok, tem um sistema circulatório nos corredores do laboratóri. Terei que me contradizer um bocado aqui; não é algo tão verossímel, mas continue lendo, você entenderá a “humanidade” desse enredo, ignorando um pouco o super smurf nu.

Tomemos, por exemplo, meu personagem favorito: Rorschach.
Em 1985, ano em que a trama toda ocorre, ele é um sociopata doente que combate o crime como Charles Bronson o faria. Por que? Uma vida traumatizada, deixando Batman ou qualquer outro herói com passado agressivo no chinelo.
Walter Kovacs, alter-ego do sombrio personagem, é um legítimo filho-da-puta. Já viu sua mãe em serviço, lucrando apenas cinco dólares e, de quebra, ainda virando um gancho no garoto sardento.

Com 10 anos, Kovacs cega parcialmente um bully que o atormentava por causa da mãe utilizando um cigarro aceso e, logo em seguida, é mandado para o reformatório. Crescendo em meio a tudo aquilo, criou seu “Own Way” de combate ao crime, o famoso Evil Must Be Punished.

Como Jovem Nerd analisa no podcast que eu mandei você ouvir, mas provavelmente não o fez, o passado do Rorschach é completamente plausível no mundo real; em tais condições, não haveria outro caminho senão tornar-se um revoltado agressivo. Aliás, merece um adendo aqui: Algumas pessoas não perceberam mas, lembram o fanático religioso/homem sanduíche com a placa “The End Is Near”? É como Walter Kovacs se apresenta fora da máscara!

Dentre os outros nomes de importância, está o Comediante, ou Edward Blake, que já “trabalha” assim desde os Minuteman. Um homem cínico e cruel; um veterano do Vietnã (onde, no filme, Dr. Manhattan aumenta de tamanho e explode vietcongues ao som de Cavalgada das Valquírias) que é nada mais que uma sátira dos heróis, afirmando que tudo aquilo que eles vivem não passam de uma piada. A trama começa com Edward sendo assassinado por Adrian Veidt, nome verdadeiro de outro herói, Ozymandias, em seu plano de unir os EUA e a URSS para salvar o mundo da Terceira Guerra Mundial, e faz isso destroçando milhares de vidas através da implosão de uma criatura monstruosa. Na nova geração de vigilantes, também participam a Espectral (Laurel Juspeczyk) e o Coruja (Daniel Dreiberg), ambos sucessores homônimos de Minutemen. O Coruja original se chamava Hollis Mason é assassinado por punks que acreditam que ele havia libertado Rorschach da cadeia. Pra quem tá meio fora do contexto, procurem a cena da prisão no YouTube. Ouso dizer queé a melhor sacada da Novel.

Como podem notar, Watchmen é tão cheio de histórias contidas em histórias que é praticamente impossível explicar algo sem realizar uma pancada de adendos e explicações.

Trazendo a conversa de heroísmo para o mundo real: Se alguém passasse na rua fantasiado, perseguindo criminosos, ele não seria satirizado pela mídia? Exato! Hollis Mason diz em seu livro (Sob o Capuz) que a imprensa satirizava-os, atribuindo Minutemen à atividade sexual dos heróis. Este universo alternativo mostra a influência de malucos mascarados na sociedade americana do século XX, com verossimilhanças e metalinguagens ordenadas com maestria por Alan Moore.

O lado nunca antes abordado dos personagens de quadrinhos fantasiosos é um fator frequente – sempre enfrentando conflitos psicológicos e enigmas morais, indagando se os anos de heroísmo foram ridicularizados com razão.

Watchmen é um universo abrangente; é a representação do que poderia ser o justiceiro mascarado se alguém, na vida real, se desse o trabalho de personificá-lo. A revista inovou o, até então repetitivo, heroísmo padrão: Uma nova forma de se olhar o herói.

Pois afinal, nem só de Supermans vive o mundo dos quadrinhos.

[ Essa mensagem se auto-destruirá em… ] Olha, eu tive outra idéia luminosa. Como é difícil explicar históricos de personagens tão detalhadamente, resolvi fazer algo chamado Character’s Sheet – Um “esquema” de posts com biografias comentadas de personalidades fictícias memoráveis. Será que vai?

Anúncios

Uma resposta

  1. […] dar uma noção mais palpável (adorei essa palavra desde que usei-a no último post), veja só a lista de habilidades que a Wikipedia disponibiliza quando refere-se a […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: