Primeiro Mundo, Where Is Your God Now?

Acima, meus amigos, vocês vêem o vidro de um carro estilhaçado. Especificando, é o vidro estilhaçado do carro que minha família alugou aqui em Lisboa.

O furto aconteceu enquanto estávamos num bar. Deixamos a maioria das coisas no banco traseiro do carro, já que não esperávamos ficar mais de dez minutos no buteco, bebendo e fazendo algumas fotos com uma lente tele-objetiva. Na volta, vimos um vidro quebrado e uma bandola de maconheiros que permeavam o estacionamento. Chega de detalhes, né? Vocês ainda tem que clicar no link pra ler o resto.

E aí, galera da “Gloriosa Justiça Européia”? Where is your god now?

Voltando do ponto onde a safada interrupção ocorreu:

Os maconheiros – ou “usuários” – se demonstravam interessadíssimos na putaria ocorrida, de fato, um fascínio que se assemelhava ao meu quando tento descobrir a marca de papel higiênico utilizado pela décima terceira esposa de Tutankhamon. De maneira simples, tava todo mundo olhando pro lado com cara de criança que derrubou o vaso chinês que era herança da vó morta.

Analogia idiota. Moving on.

Quando lembrei que não tinha levado o iPhone para o bar, num flash, me toquei que ele havia ficado visivelmente esparramado no banco de trás. Na hora eu fiquei com vontade de ajoelhar, olhar para os céus e berrar NOOOOOO, mas antes disso, abri a porta e comecei a desembolar o molho de cachecóis e casacos necessários para cubrir uma sensação térmica negativa (acredite, é bastante pra quem saiu dos quarenta graus brasileiros e sofre risco frequente de um choque térmico). Dessa vez os deuses nórdicos estavam do meu lado e quando senti o celular em minha palma, repeti a memorável cena de Arthur retirando a espada da pedra.

Mais uns quinze minutos de checagem no veículo e nada parecia ter sido levado. O pensamento em comum da família era: Tinha que ser português. Mais quinze minutos de viagem bastante congelante, já que nada aparava o vento que entrava fulminantemente pela janela, ouve-se um “Levaram a bolsa”; um tapa na cara.
Óculos novo, cartões de crédito e iPhone 3Gs. O gajo levou tudo e nos deixou com o cu nas respectivas mãos. E em meio ao silêncio ouviam-se lamentações e suspiros de ódio de minha mãe, enquanto ela ligava pro Brasil para cancelar todas as tralhas eletrônicas.

Paramos no aeroporto, na companhia que aluga os carros. Explicamos a história, fizemos o B.O e saímos de lá com um lindíssimo Renault Clio de 2001. Mais de noite (um pouco antes de eu começar esse post, na verdade), ligam no quarto e avisam que a puliça achou a bolsa. Bandido eficiente, polícia eficiente – pelo menos é equiparável. O coitado do meu pai voltou ao cais onde estávamos horas atrás e pegou a bolsa com o oficial.

A surpresa é que os cartões de crédito estavam todos na bolsa. A única coisa que faltava era o iPhone. Isso nos leva a conclusão inicial: Tinha que ser um gatuno lusitano.

Mudando de foco repentinamente, – o que já é um costume nesse blog – cadê agora os brasileiros que insistem em viajar pra Europa quatro ou cinco vezes ao ano, apreciar a terra onde, segundo eles, na verdade pertencem? Aqui no Brasil, qualquer notícia é motivo de reuniões haters à patria. Nasceram aqui, LIVE WITH IT.

Portugal, Espanha e Inglaterra não são perfeitos. O crime não é fator brasileiro ou latino, tampouco é “coisa de terceiro mundo”. Eu sou testemunha ocular disso e, se alguém tem que ter vergonha de algo nessa história, são os europeus, que devem sofrer da maior vergonha alheia calculável por Pitágoras, graças a essa abundante, e igualmente repugnante, colônia de brasileiros presunçosos.

Já disse isso, mas relembrar é viver:
A xenofobia européia não é de toda ilógica. É, aliás, bastante compreensível.

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