Pokemon (Trauma) Center

Vamos a mais uma de minhas tragicomédias infantis!

Nunca salvava

Quem viveu a infância na mesma década que eu (90~00) sabe que a maior sensação do momento era ter um Game Boy Color e se reunir com os amiguinhos no churrasco dos pais para trocar pokemons e realizar épicos duelos de treinadores através daquele infravermelho incrivelmente falho que havia na parte superior do portátil da Nintendo. Quando muito, um do grupo possuía aquele cabo link tosquíssimo, e se funcionasse, era fiesta.
Essas rixas virtuais inevitavelmente terminavam de duas formas: Uma criança de seis anos chorava por não assimilar que a morte do Charizard não singificava o fim do mundo OU desencadeava uma porradaria geral entre pivetada do bairro, o que era exponencialmente mais divertido do que ficar clicando Tackle e Ember por 15 minutos sem parar.

Alegria de sobra para toda a família. Será? Se há no universo um jogo que já me causou mais frustração do que MegaMan (damn you, Woodman), esse jogo é Pokemon.

Dos traumas e desesperos que esse inofensivo jogo já me fez passar, serão citados os principais (o que pode ser entendido como “os que eu lembrar”, já que não tive contato com Ash e seus gráficos pixelizados desde 2005). Saia deste blog se nunca se deparou com algo desta lista.

Problemas no Save

Clássico. Sim, eu sei que esse problema é de todas as fitas de Game Boy, que tem que substituir o chipzim verde e soldar um novo, blá, blá, blá. O ponto é: São três horas da manhã, você está grogue de sono e mal consegue se manter consciente. Logo, salva na porta do último ginásio (De qual cidade era? Veridiam? Algo assim?) para coroar os meses de vício frenético depois, conquistando o trono de maior treinador pokemon entre seu círculo de amizades.
Um dia depois, aquele êxtase começa a tomar conta do seu corpo assim que você empurra o botão de Power; o rugido malfeito na animação inicial do jogo te causa calafrios. Quando o dedão se posiciona para apertar o A, seus olhos encontram somente uma frase na tela, e esta é New Game. Sem mais explicações. Talvez essa seja a causa de cada vez mais pessoas zerarem o jogo numa velocidade absurda: A graça do Save não era mais permitida à certas almas azaradas.

O Rival

Os gráficos eram fator importante nessa lindeza.

Vejamos, por onde começar? Ah sim, ele sempre pega o pokemon que leva vantagem sobre o seu – ou seja: Escolhendo Charmander, o corno escolhia Squirtle. Se você optasse por Bulbassauro, ele pegava Charmander e por aí vai. Pela matemática básica, é certo que se não houvesse essa programação, VOCÊ sempre teria vantagem sobre ele, mas algumas batalhas entre Ash e o odiável rival ocorriam cedo na storyline, e isso complica demais a sua vida, por falta de variedade nos elementos dos pkmns .
A despeito disso, Gary, ou qualquer que seja o nome escolhido, – quase sempre era “Bicha”. Se não, era o nome do bully que batia em você naquela época – era um excelentíssimo filho da puta que pagava de malandrão, tendo mais registros na pokedéx e vencendo os ginásios antes que você. Queria descobrir uma forma de entrar num game só pra encher ele de porrada no melhor estilo Warriors.

Terceiro Ginásio

Algumas coisas são memoráveis – por serem boas em demasia ou por serem absurdamente ruins. Certos eventos da franquia se encaixam perfeitamente no segundo item. Lembram do famigerado terceiro ginásio? O líder possuía um Raichu, que nada mais é do que um Pikachu playsson. Agora, você lembra do que tinha que fazer para abrir a porta que chegava no boss? É, o puzzle mais idiota da história dos games: Haviam várias lixeiras espalhadas pela sala, logicamente, próximas daqueles desafiantes chatos que só servem para te enfraquecer, deixando o final blow pro líder do gym. Um dos 36 ou sei lá quantos saquinhos de lixos tinham naquele inferno continha um objeto aleatório, cuja segunda parte você teria que encontrar em outra lixeira. A putaria é que se você não acertar de primeira onde está o outro pedaço da parada, tu vai ter que achar a primeira DE NOVO em outro lugar, e assim até locarizar o treco!
Sabe qual é a porcentagem de encontrar a segunda parte na primeira tentavia? MUITO PEQUENA! A sequencia se definia por encontrar a primeira parte na dedução sherlockiana e salvar o jogo. Procurava numa lixeira, se estivesse vazia, desligava, procurava de novo e seguíamos assim até encontrar. E aí, se sua fita não salvasse, F…

Pokemon Center

Vocês nem imaginam o quão difícil é achar um screenshot bom do PokeCenter.

O cúmulo da imensurável perda de tempo não poderia ficar fora dessa listinha. O diálogo com a Enfermeira Whatever (que tinha inúmeras irmãs no desenho) era basicamente isso:
– Quer Curar seus Pokemons?
Eu fugi das batalhas com meus pokemons a beira da morte, entrei aqui e vim conversar com você. Ops, acidente!
– Você tem CERTEZA de que quer curar seus pokemons?
Advinhe.
– Ok, seus pokemons serão curados!
Quanta gentileza.

Isso sem contar naquela animação bizonha das pokebolas sendo “curadas” na maquininha. Pokemon Center é broxante.

Referências Indiretas a Atos Criminosos

Você adestra animais forçando-os a viverem num espaço limitado, sendo que sua única intenção é promover rinhas utilizando as pobres criaturas. Cadê o IBAMA da Pallet Town?

Experiências Pessoais

Todos tem um trauma único com Pokemon, um evento que só aconteceu com você e graças a isso, você  olha para os céus toda noite, berrando com fúria palavras de baixo calão a toda e qualquer alma que já tenha cruzado olhares com você. Antes que alguém pergunte, aqui vai meu causo:
Não me lembro bem do ano, devia ter uns oito, quiçá nove anos. Eu e um amigo viviamos a base de cheetos, coca-cola e pokemon, constando que o mais prezado por nós era o terceiro. Enfim, num belo, belíssimo, dia de sol, jogávamos Pokemon Fire Red em pleno clube – Sim, em pleno clube, com piscinas e quadras de inúmeros esportes. Em meio a nerdice, eu encontro um Machop Shine (é assim que se define o pokemon especial que não tem nada demais além de brilhar?). Capturo a criatura e entro no Nirvana; como a filha-da-putísse é tremenda neste que vos fala, saí correndo para esfregar na cara do meu coleguinha que tinha conseguido algo fodástico (fodásticamente inútil). Numa dramática câmera lenta, meu pé deslizou naquela poçinha de água que se aglomera ao redor da piscina, levando meu ponto de equilíbrio pro caralho e meu Game Boy de cara no chão. Precisam de mais detalhes? Saí de lá com o queixo e o orgulho feridos em um só acidente.

Bateu saudade e estou jogando Pokemon Pearl no meu DS. Depois de 15 tackles, já quero desligar de novo.

Todos os traumas citados aqui ocorreram com o autor deste post.
Todos, sem excessão
E mais de uma vez.
Aliás, várias e deprimentes vezes.

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Uma resposta

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Dario Lopes, Dario Lopes. Dario Lopes said: @brunorollo Pra você ler, corno. http://bit.ly/b9lHG1 […]

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