O Primeiro Álcool de um Homem

Antes que os amigos próximos e familiares tenham um susto e me mandem para a rehab: Eu não sou chegado em bebidas, álcool, drogas ou cola. Coisas que te entorpecem e matam não entram na minha lista de favoritos, mas todos tem seus deslizes.
É muito eufemismo meu caracterizar esse evento como um deslize. O correto seria dizer que foi uma grande cagada.Deixo bem claro que narro essa história com meu maior bom-humor, mas é uma das poucas coisas que já vivi das quais eu não me orgulho at all.

Nos exploradores 15 anos, temos a mania de querer experimentar de tudo e achar que é nosso direito. Achamos que somos como ninjas da malandragem, fazemos o que queremos e temos certeza que ninguém nota nossas badernagens. Mesmo quando seu amigo está tão bêbado à ponto de por a camisa do lado contrário e insistir berrando, quase que inteligivelmente, que está sóbrio, somos sombras e ninguém nos nota. Servindo-me desse ideal, tive a pior noite da minha vida.

Hoje é só uma memória, portanto, sinta-se a vontade para rir da minha desgraça.
Começou assim:

Aconteceu no longínquo fim de ano de 2008, numa chuvosa quarta-feira (na verdade, eu não lembro o dia nem o mês, mas dessa forma se torna mais dramático). Eu era de uma banda de rock (!) e achava o ápice do universo ser famoso e comer o maior número de mulheres que me fosse permitido. Fique bem destacado que jamais disse que essa sensação seria desagradável.

O baterista desse projeto revolucionário de banda era, e até hoje é, o tipo de pessoa que largará a escola no colegial, passando todos os dias da sua vida sendo sustentado pela mãe, vivendo no sótão da coitada e compondo todo dia o que, segundo ele, será o “novo hit mundial”. Por pura pena daquele ser arrogante e ignóbil, pouparei sua identidade. Chamarei-o de “L”, que pode-se entender como a inicial do sujeito ou a inicial de looser, fica a seu critério. Seguiremos em frente.

Numa infeliz noite, antecedendo uma recuperação escolar, L dormiria em casa. Até hoje me pergunto, que junções de forças do cosmo fizeram meu pobre pai, que será conhecido por Don Vito Corleone aqui no Nostalgia, à deixar o baterista da minha vândala banda ficar por lá com uma aula importantíssima às 6 da manhã.
Naquela época, estávamos lendo a biografia do Slash, ex-guitarrista do Guns n’ Roses. Eu não duvido que tenha sido uma influência para o que ocorreria naquela madrugada.

Em meio ao small talk começamos a refletir (reflexionar?) sobre nosso futuro musical. Conversa vai, conversa vem e eis que surge a genial ideia de experimentar whisky. Já que seremos astros do rock, vamos ficar de porre! Depois não entendem quando digo que me acho idiota por ter 15 anos. Don Vito mantinha um bar particular próximo a cozinha, onde ele deixava todas as bebidas. Ainda acho que 20% da culpa é dele, por ser um exemplo de bebedeira e por deixar álcool, em todas as suas formas e cores, tão indefeso e tão próximo de duas cabeças acéfalas.

Saímos do quarto e tomamos, um gole cada um, de uma garrafinha de Jack Daniel’s. Sensação horrível, mas pra seguir na linha do Rock n’ Roll, disse pro L que nunca havia provado nada melhor. Levantávamos, tomávamos golinhos e voltávamos. Repetimos esse ciclo por mais ou menos uma hora.

Numa das idas, eu peguei a garrafa, estufei o peito e mandei um “Olha só!”. Virei a garrafa em 90 graus, mas advinhe: Tampei com a língua e uma pouca quantidade daquele líquido ardente desceu pela minha traquéia. L, num mix de embalo e um falso sentimento de inferioridade alcoólica, arrancou a bebida da minha mão e virou quase tudo for real. Depois disso eu também estufei o peito, mas dessa vez o que eu disse foi: “Agora fodeu.”

Voltando sorrateiramente pro quarto, L, desprovido de racionalidade, salta, no maior estilo Daiane dos Santos, em direção a bicama, derrubando a lâmpada de lava que repousava ao lado do criado-mudo. Depois de me recompor, tirar a lâmpada hippie de perto e verificar se meus pais não acordaram com o barulho, tentei convencer o abominável ser de que ele estava, de fato, bêbado para caralho e, consequentemente, muito, muito, chato.

Em sua primeira tentativa de me provar que estava sóbrio e consciente, L tentou pronunciar “Verosimilhança”, falhando miseravelmente, acabando em alguma palavra próxima de “virose”. Sua mente bêbada mandou ele realizar algo mais concreto e, sendo assim, levantou e disse, com toda sua coragem desmiolada, que iria até o outro lado do quarto, daria dois tapas no armário e voltaria para a cama como uma sombra num quarto escuro. Minhas tentativas de segura-lo foram em vão.

Levantou muito rápido e caiu mais rápido ainda. Afirmando que estava bem e que tinha sido proposital, ele segue seu percurso cambaleante. Apoia na cadeira. Cadeira cai. Tropeça na cadeira caída. Bêbado cai. Finalmente alcança o armário e dá-lhe dois leves tapas. Olha pra mim com um sorrisão e dá outro tapa no armário, exibindo-se com uma pose auto-humilhante de Jay-Z.Com as duas mãos no rosto, eu implorava para qualquer força superior existente que atirasse um trovão na cabeça dele. Nesse dia eu entendi o porque de não se discutir com embriagados.

Não satisfeito com suas poucas besteiras, L tira a tampa da lâmpada de lava, que estava a aproximadamente 80 graus, e começa a equilibra-la em sua testa. Demorei demais para tirar a tampa dali e ele passou a noite com uma marca oval na testa. Quase peguei a tampa e enfiei-a em outro lugar dele.

Lá pelas 4 da manhã, L se revela um bêbado não apenas chato, mas também um bêbado chorão. Ele se emocionou com a banda ou com a amizade, não me lembro. Não pretendo lembrar agora, mas recordo de tirar-lhe o óculos de 10 reais da cara dele e virar-lhe um tapa de capitão nascimento, mandando insistentemente para que ele dormisse.

Acordei duas horas depois com ele embaixo da minha cama. Provavelmente rolara para lá enquanto tentava dormir e ficou preso, devido a sua falta de coordenação. No chute, ele acordou e tentou se vestir. Quando Corleone chegou no quarto, sacramentou-se a merda. Ele notou o estado claro de embriaguez de L, enquanto eu negava qualquer conhecimento sobre o estado do infeliz.

De aí em diante, tenho flashes de memória. Acredito que tenha me esforçado tanto pra tirar isso da mente que algumas partes realmente sumiram, mas uma que jamais sairá da minha cabeça é a seguinte: Meu pai com as duas mãos na gola da minha camisa, como aquele bully da quarta série, berrando que eu tinha feito algo imperdoável.

Meanwhile, L dormira enquanto mijava.

Fomos para o carro e o desgraçado vomitou na garagem. Don Vito se dirigiu ao carro e eu cunhei um pretexto de “Vou salvar o bêbado” para extravazar minha fúria num único soco em seu rosto. Chegando na favela que era a rua-condomínio do L, vou até a porta de sua casa e toco a campainha, soco a porta e nada. Ninguém atendia a maldita porta. Quando me viro, ele está chorando e dizendo para eu não bater na porta (aí estava o álibi para o segundo soco). Por isso eu não quero beber; imaginem que estado miserável que ele se encontrava. Perguntei se ele estava bem e se conseguiria ficar por ali, já que meu pai estava próximo de perder a paciência e arrancar-me os olhos. Ele falou que não. Olhei para a porta e para o meu pai. Reflexionei por 3 segundos, dei-lhe um tapa nas costas e mandei sebo nas canelas.

O carro foi um silêncio dali até o colégio. Aliviei-me ao sair e, pelo menos, tornei essa história uma das mais populares entre minha rodinha de amigos. Tenho a impressão de não ter transcrito-a muito bem, mas trabalharei nisso quando voltar pra São Paulo e colocarei uma foto da lâmpada de lava, para não parecer boring.

Se essa história realmente não foi postada nos padrões textuais do blog, perdoe-me, foi escrito durante um jogo da Ana Ivanovic e essa mulher capta minha atenção.

[ Porra ] Minha lâmpada de lava se perdeu na mudança, portanto, fiquem somente com essa foto:


Meu deus.

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2 Respostas

  1. aconteceu o mesmo comigo…
    soh q foi vodka…
    e o bebado era a minha pessoa.

  2. Comigo também…mas eu nao fiquei chato e sim engraçado…

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